Conheça o primeiro computador da história

Artefato tem mais de 2 mil anos e foi desenvolvido na Grécia Antiga

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Em 1901, na ilha de Anticítera, sul da Grécia, um grupo de recolhedores de esponjas encontrou restos de um navio romano. A embarcação havia naufragado há 2 mil anos, período no qual o Império Romano começou a conquistar as colônias gregas no Mediterrâneo.

Entre a riqueza de estátuas e tesouros gregos, um objeto encontrado intrigou especialistas ao longo de mais de um século. Feito de bronze e todo corroído, chamava atenção pelo tamanho, próximo ao de um laptop moderno. Considerado uma espécie de "máquina do futuro", atualmente é conhecido como máquina de Anticítera e está no Museu Arqueológico Nacional de Atenas. 

A peça, coberta por uma crosta, guardava engrenagens talhadas à mão. "Se não tivessem descoberto a máquina em 1900, ninguém teria imaginado, ou nem mesmo acreditado, que algo assim existia, pois é muito sofisticada", disse o matemático Tony Freeth, da Universidade de Cardiff, em entrevista para a BBC.

Para o físico grego Yanis Bitzakis, o mecanismo demonstra uma genialidade surpreendente. "Imagine: alguém, em algum lugar da Grécia antiga, fez um computador mecânico", afirma o especialista, integrante da equipe internacional que investiga o artefato.

Mecanismo frágil intrigou os cientistas. Atualmente, o dispositivo está no Museu Arqueológico Nacional em Atenas, na Grécia

Mais detalhes

O físico inglês Derek John de Solla Price (1922-1983) foi o primeiro a analisar em detalhes os 82 fragmentos recuperados. Em parceria com o físico nuclear grego Charalampos Karakalos, ele incidiu raios-x e raios gama das peças e encontrou 27 rodas de engrenagem em seu interior.

Os estudos revelaram que o objeto pertencia aos anos de 70 a.C. e 50 a.C, mas ainda assim gerava dúvidas, diante da complexidade do dispositivo. Muitos acreditavam que a peça era moderna, e casualmente teria caído de alguma embarcação.

O físico inglês decidiu que contaria os dentes de cada roda do mecanismo, em busca de mais detalhes e funções do dispositivo. Ele chegou a dois números: 127 e 235. "Esses dois números eram muito importantes na Grécia antiga", diz o astrônomo Mike Edmunds.

Conhecendo os gregos

A cultura grega de dois milênios atrás foi uma das mais criativas da humanidade. Eles sabiam como os corpos celestes se moviam no espaço, calculando suas distâncias da Terra. As fases da Lua, por exemplo, eram informações extremamente necessárias para o plantio, batalhas, festas religiosas, momentos de pagar dívidas e autorizações para viagens noturnas.

Mas a dúvida era: eles seriam capazes de fundir astronomia e matemática, criando um objeto programado para seguir o movimento da Lua?

A chave do mistério foi o número 235, que "computava" os ciclos da Lua. Segundo o historiador especializado em astronomia antiga Alexander Jones, os gregos sabiam que, de uma nova Lua a outra, se passavam em média 29,5 dias. "Mas isso era problemático para um calendário de 12 meses no ano, porque 12 x 29,5 = 354 dias, 11 dias a menos do que o necessário. O ano natural, com as estações, e o ano-calendário perderiam a sincronia", afirmou.

No entanto, os gregos compreendiam que 19 anos solares são exatamente 235 meses lunares, ciclo chamado Metônico, identificado em um dos fragmentos da máquina de Anticítera. Já o número 127, serviu para Price entender outra função que envolvia a Lua. Após 20 anos de pesquisa, ele conseguiu desvendar o artefato, embora algumas arestas ainda tivessem que ser aparadas.

O número 223

Com novos aparelhos elaborados para identificar o interior da peça, pesquisadores encontraram outro número chave: 223. Essa numeração foi também descoberta pelos antigos babilônios, três séculos antes da idade do ouro em Atenas.  O número correspondia a 223 luas após um eclipse (18 meses e 11 dias, período conhecido como ciclo Saros), a Lua e a Terra voltavam para a mesma posição, produzindo outro eclipse.

Mecanismo é sofisticado e traz Informações sobre eclipses 

"Quando havia um eclipse lunar, o rei babilônio deixava o posto e um substituto assumia o poder, de modo que os maus agouros fossem para ele. Logo, o substituto era morto e o rei voltava a assumir sua posição", conta John Steele, especialista em Babilônia do Museu Britânico.

Dessa forma, constatou-se que a máquina de Anticítera podia prever o dia e a hora de um eclipse. Descobriram também o ciclo Saros, uma interação repetitiva de 223 meses do Sol, da Terra e da Lua.

Analisando outros dentes que sobravam no mecanismo, localizados na parte frontal do aparelho, a conclusão foi de que a máquina correspondia a um sistema planetário como os gregos entendiam o Universo naquele momento: a Terra no centro e cinco planetas ao redor.

"Era uma ideia extraordinária: pegar teorias científicas da época e mecanizá-las para ver o que aconteceria dias, meses e décadas depois", diz o matemático Tony Freeth.

Nascia o primeiro computador

Essencialmente, foi a primeira vez que a raça humana criou um computador, segundo Freeth. "É incrível como um cientista daquela época descobriu como usar engrenagens para rastrear os complexos movimentos da Lula e dos planetas", disse. O aparelho também previa a data exata dos Jogos Pan-Helênicos: Jogos Olímpicos, ou de Olímpia, Jogos Píticos, Jogos Ístmicos e Jogos Nemeus.

As evidências sugeriam que o criador da máquina era um coríntio que vivia na colônia mais rica governada pela cidade: Siracusa, lugar onde nasceu Arquimedes, o mais brilhante matemático e engenheiro grego. Foi ele quem determinou a distância da Terra à Lua. "Só um matemático brilhante como Arquimedes poderia ter desenhado a máquina de Anticítera", opina Freeth.

Tecnologia perdida?

Com a queda da civilização grega, e posteriormente da romana, o conhecimento foi para o Oriente, mantido por bizantinos e árabes eruditos. O segundo artefato com engrenagens de bronze mais antigo - do século 5 - tem inscrições em árabe. No entanto, três séculos depois, os mouros levaram esses conhecimentos de volta à Europa.

Pesquisas montraram que a máquina poderia estar dentro de uma caixa, que se deteriorou com o passar do tempo, e que também poderia conter todo o conhecimento do planeta, do tempo, espaço e Universo.

Dispositivo pode revelar o quão avançada era a ciência grega

Foto: Divulgação

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